Breve história do GPL Auto

Ganhou espaço como combustível para propulsão automóvel em Portugal no início da década de 90, mas até hoje é algo desconhecido entre a comunidade automobilística. Apesar de se estimarem entre 50 a 60 mil carros a circular no nosso país, com uma rede de abastecimento a rondar os 400 postos, os “carros a gás” não reunem consenso entre os proprietários de veículos ligeiros com motores de combustão. Nos próximos doze artigos do nosso blog, iremos dar-lhe a conhecer em detalhe o GPL Auto.


A primeira menção à mistura de propano e butano data de 1910. Foi então que Walter O. Snelling, um químico americano que pesquisava as propriedades da gasolina, separou as frações gasosas das líquidas, descobrindo assim a existência do propano (importa referir que a sigla GPL significa Gases do Petróleo Liquefeitos, ou seja, são gases no estado líquido, resultantes da destilação do petróleo, como veremos no próximo artigo). Dois anos mais tarde, em 1912, Snelling iniciou a sua primeira instalação doméstica de propano e, em 1913, patenteou a produção de propano em escala industrial. Mais tarde naquele ano, a patente foi comprada por Frank Philips, o fundador da petrolífera ConocoPhilips. Ainda assim, o consumo de GPL não cresceu consideravelmente.


Frank Phillips - Primeiro produtor de GPL


As informações sobre o uso prático do GPL datam apenas de 1918, quando o combustível era utilizado para lâmpadas de brasagem e maçaricos de corte de metal. No entanto, a produção comercial não começou até à década de 1920. As vendas de GPL nos Estados Unidos chegaram a 223 mil galões em 1922, enquanto nos três anos seguintes o número cresceu para 400 mil galões. Em 1928, o GPL foi utilizado pela primeira vez como combustível num motor pesado, e o primeiro frigorífico a GPL foi construído. Em 1929, o nível de vendas do combustível chegava a 10 milhões de galões nos Estados Unidos.




O GPL ganhava impulso rapidamente. Em 1932, foi utilizado para cozinhar e aquecer água durante os Jogos Olímpicos de Los Angeles. A indústria de propano-butano estava a crescer mais forte a cada ano que passava, e conseguiu produzir e vender 56 milhões de galões de GPL em 1934. Nos anos seguintes, a procura por gás de petróleo liquefeito (GPL) foi impulsionada pela popularidade dos dirigíveis, que viajavam regularmente entre a Europa e os EUA. Os dirigíveis da série Zeppelin, de última geração, eram movidos por motores alimentados com o chamado gás Blau (inventado por Herman Blau), ele próprio muito semelhante ao butano - um dos ingredientes do GPL. Utilizar combustível gasoso com aproximadamente a mesma massa do ar era realmente muito conveniente para os dirigíveis, pois não alterava o peso geral do Zeppelin da mesma forma que os combustíveis líquidos (os dirigíveis tornavam-se consideravelmente mais leves quando os combustíveis líquidos fossem queimados, forçando assim a libertação de hidrogénio, o que era extremamente perigoso). Infelizmente, quando o Hindenburg - o maior dirigível já construído - foi destruído num acidente em 1937, matando 36 pessoas, a era do Zeppelin terminou abruptamente.




Felizmente, a era do GPL não acabou com esse terrível acontecimento. Pelo contrário, na verdade floresceu porque havia um grande número de botijas de gás deixadas nos aeródromos de onde os dirigíveis operavam. Por exemplo, 6.000 deles tornaram-se inúteis só no Rio de Janeiro, o que levou o empresário Ernesto Igel à ideia de comprá-los e promover o gás como excelente combustível para cozinhar. Foi assim que surgiu a empresa brasileira mais tarde conhecida como Ultragaz. Em 1939, a empresa tinha três camiões de distribuição e 166 clientes. Onze anos depois, em 1950, eram mais de 70 mil clientes, e hoje a Ultragaz é uma das maiores operadoras de GPL do mundo.


Quando a Segunda Guerra Mundial acabou e a produção industrial aumentou novamente, as vendas de GPL nos EUA ultrapassaram 1 bilião de galões. Quase 62% de todos os lares americanos tinham instalações de GPL na época. Em 1947, o primeiro tanque de gás liquefeito foi construído e entrou em serviço. Em 1950, a Chicago Transit Authority, uma operadora de transporte público de Chicago, encomendou 1.000 autocarros movidos a GPL, enquanto em Milwaukee 270 táxis foram convertidos no mesmo ano. Em 1958, as vendas de GPL atingiram 7 biliões de galões e em 1965 a Chevrolet introduziu quatro novos motores movidos a GPL para veículos comerciais.

Os primeiros contratos internacionais de exportação foram concretizados apenas após a década de 1950. No entanto, a quantidade de GPL exportada ainda era baixa na década de 1960 - abaixo de 1 milhão de toneladas foram enviadas para fora dos Estados Unidos. Nos 20 anos seguintes, as exportações cresceram para 17 milhões de toneladas e atingiram 48 milhões de toneladas no ano 2000.




Europa


O GPL apareceu pela primeira vez na Europa quando foi importado dos EUA e introduzido em França, em meados da década de 1930. Foi engarrafado e veio de uma refinaria da Costa Leste americana. Apenas em 1979, os franceses autorizaram a utilização de gases de petréleo liquefeitos como combustível para veículos. Mesmo ali ao lado, em 1938, a empresa italiana Liquigas começou a encher garrafas com GPL numa instalação perto de Veneza. No entanto, a eclosão da Segunda Guerra Mundial prejudicou o desenvolvimento adicional por alguns anos no Velho Continente, estagnando o crescimento do GPL.


Portugal – mercado em crescimento


À semelhança do que acontece na Europa Central e de Leste nos anos 80, o GPL vai crescendo de popularidade em Portugal. Contudo, apenas em 1991 é emitido um Decreto-Lei que regulamenta a utilização de GPL nos automóveis de matrícula nacional. Desde então, o mercado português tem mostrado (timidamente) alguma receptividade ao combustível que se intitula alternativo e amigo do ambiente.

Dados mais recentes da Comissão Europeia, estimam que circulem a GPL Auto na EU a 28, um total de aproximadamente 8 milhões de veículos ligeiros. Destes, a maior fatia está na Polónia, com cerca de 3 milhões de carros, logo seguida pela Itália com aproximadamente 2 milhões. A Alemanha fecha o pódio com cerca de 500 mil veículos movidos a GPL Auto.



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